quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

Davídico

 


 

Não sei por que você faz isso

Por que me força a fazer isso com você

Me pede para espancá-la com toda força

Com chicotes, cintos e bastões

Tapas no rosto

Socos no corpo

Chutes nas suas pernas

E quando está caída

Pisar-lhe como uma cadela

 

Arranhões

Nos cabelos, puxões

Estrangulando o pescoço

E até cuspes no rosto

 

Perversão

Agressão

Submissão  

Tudo para lhe maximizar

O tesão

 

Eu amo você

Faria tudo por você

Mas eu não sou esse monstro

Que se diverte te espancando

Quero lhe dar meu carinho

Quero cuidar de você

 

Quando te bato

Minha alma chora por dentro

Perdida em algum lugar em meu coração de pedra

Nas brumas de minha consciência maléfica

As lágrimas que luto para conter

A tristeza de ser obrigado a fazer

Abusos que te fazem sofrer

Um prazer perverso que agrada a poucos

Agressões que excitam devassos e loucos

 

Não sou um pervertido sexual

Eu te amo como nunca amei alguém igual

Eu não sei por que você gosta disso

Mas de uma coisa eu desconfio

Foi devido ao seu pai

 

Seu pai a agredia fisicamente

Sua infância foi marcada pela crueldade inclemente

Você se prometeu que um dia iria se libertar

E se livrar das surras que era obrigada a suportar

Mas a violência ficou marcada em seu psicológico

O lixo emocional a longo prazo se tornou tóxico

No seu subconsciente você entendeu que para ter carinho

Amor e atenção da figura paterna

E consequentemente dos homens

Deveria se submeter a abusos e surras

Por isso desenvolveu um tesão por masoquismo e tortura

 

Mas eu serei seu homem certo

Eu serei a figura de um pai correto

Um pai que faria tudo por um filho

Um pai que te daria amor e carinho

Sem pedir nada em troca

Sem te agredir

Te espancar

Ou te ferir

 

Uma figura paterna forte

Um marido vigoroso

Como um glorioso rei

Que protege seu reino

Que cuida de seu povo

E ama a sua família

 

Davídico

O poderoso rei Davi

O mais sábio dos reis

O maior observador da Lei

Um marido bondoso

Um pai amoroso

Dos monarcas a ocupar o trono

O mais justo de todos

 

Que amou a Mical

Por sua coragem ele conquistou o privilégio de se casar

Com a filha do famigerado rei Saul

Que amou a Abigail

Sua piedade e beleza lhe aplacou a ira

E a desposou após a morte do desprezível Nabal

Ou até Bate-Seba

Apesar do infame adultério

De ter encomendado a morte de seu inocente marido

A desposou fielmente

E cuidou dela para sempre

 

Davi também amou a seus filhos

Como Amnon

Seu querido primogênito

Que apesar de ter violado sua própria irmã

Ele chorou quando foi assassinado

Como Absalão

Que apesar de tê-lo traído

E tentado usurpar o seu trono

Ele também pranteou seu fim esperado

Como Mefibosete

Que apesar de ser filho do falecido Jônatas

Ele o adotou e o criou como um filho seu

Em honra ao grande amigo que tragicamente morreu

 

Eu seria seu amoroso pai e marido

Eu seria o seu rei davídico

Tudo para lhe dar o amor que você necessita

A livraria do passado que a contamina

As sombras de uma infância infeliz

Traumas causados por um pai cruel 

Que pela insensatez não te quis

 

Por enquanto ria, minha querida

Enquanto eu te cubro de feridas

Por que eu sei que isso te excita

Mas eu também sei que um dia

Eu vou te tirar desse show de horror

E te darei o real sentimento

Do puro e verdadeiro amor

 

quinta-feira, 7 de abril de 2022

Mamãe Está Morta


(Pintura de Octave Tassaert) 


Quero me casar por amor

Mas não é isso o que eu vejo hoje em dia

Os casamentos são feitos por contrato

De comunhão ou divisão de bens

Por chantagem emocional

Por competição ou inveja

Gravidez indesejada

Interesse financeiro

Por pensão após o divórcio

Preocupação com a velhice

E por desvario religioso

 

Isso me parece artificial

Egoísta e irracional

E principalmente

Imoral

 

Casais que vivem o tempo todo brigados

Sem diálogo e magoados

Cujo sexo é controlado

Maçante de tão regrado

Maridos que humilham suas esposas

Causando-lhes dor

Esposas que transam com seus maridos

Como se lhes fizessem um favor

 

Meu pai me ama mais que tudo

A única pessoa que ele ama no mundo

O resto ele odeia fortemente

Junto com sua vida deprimente

 

E em sua vergonhosa trajetória

Para me fazer feliz ele se esforça

De derrotas a humilhações

De pessimismos a provações

A infância feliz que ele nunca teve

A miséria profunda que ele ainda sente

A mim ele quer fazer feliz

Porque eu sou a filha que ele sempre quis

 

Gosto tanto de culinária

Desde criança disso eu brincava

Acho que descobri minha paixão

Chefe de cozinha será minha profissão

 

Meus pais estão brigando tanto

No começo eu ia ignorando

Minimamente me importando

Mas agora está me assustando

 

Meu pai se injuriava

No seu semblante eu via sua raiva

Nos seus olhos eclodia o ódio efusivo

No coração seu impulso assassino

 

Mamãe está morta

Papai deu um tiro na cabeça dela

No sofá ela caiu sentada

Expirou perante sua arma

 

Ele disse à polícia

Que não aguentava mais tanta mentira

Por levar a culpa por tudo

Por ser tratado como um vagabundo

Por ser agredido e nunca reagir

Pela dor que era obrigado a reprimir


Eu ainda era só uma menininha

Eu segurava a mão de minha mãezinha

Pedi para ela acordar e não acordava

Sangue gotejava do buraco de bala

 

Eu só tinha cinco anos

E vivia sempre brincando

Tinha acabado de entrar na escolinha

Lá eu tinha minhas amiguinhas

Mas naquele momento eu sabia

Que minha infância fora destruída

 

Meu pai cometeu um homicídio

Hoje eles chamam de feminicídio

Foi condenado a vinte anos de reclusão

Onde os passará em uma distante prisão

 

Sinto tanta falta da mamãe

Tínhamos muitas afeições

Acordo à noite chamando por ela

Chorando e olhando pela janela

 

Também sinto falta do papai

Seu amor eu não trocaria jamais

De seu abraço bem forte

E de seu carinho que era enorme

 

Hoje eu acordei muito triste

Um dia meus avós morrerão de velhice

E logo não terei mais família

E eu ficarei aqui sozinha

 

Mas não tenho mágoa e sim pena do meu pai

Ele eu sei que não verei nunca mais

Mas eu peço a Deus em oração

Que Ele tire esse ódio de seu coração

E que ele possa finalmente encontrar

Nesse caminho sangrento que ele quis caminhar

A tão esperada redenção

 

 

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Quem Corta o Cabelo dos Cabelereiros?

 


Quem corta o cabelo dos cabelereiros?

Um espertinho pode responder

“Um outro cabelereiro!”

Mas é como perguntar

Se pode o mesmo médico

Sozinho se operar

 

Outro cabelereiro

Tem outro jeito de cortar

Outra mão e outra técnica

E outras tesouras para usar

 

Outro me vestirá com uma capa

Ensebada porque nunca foi lavada

Colocará um papelzinho ao redor do meu pescoço

Seguro o riso porque faz coceguinhas um pouco

 

Os meus cabelos outro pode lavar

Com torneira ou água ele borrifar

Ou não lavar com coisa alguma

E começar com minha cabeça suja

 

Com seu tic, tic, tic enquanto corta

Medindo a simetria enquanto me olha

Ele me pergunta

“Qual o comprimento?”

Eu respondo

“Em cima pode tirar um dedo”


O cabelereiro inicia uma conversa sem interesse

Apenas para conhecer seu novo cliente

Mas a conversa é inútil e irrelevante

Acho que sou muito inteligente 

E ele muito ignorante 


Raspando com a maquininha

Eu peço

“Não deixa nenhuma marquinha”

Fazendo na nuca o “pezinho”

“Na barba pode deixar quadradinho”

 

Ele passa gel sobre as orelhas

E corta com notável destreza

Passando a navalha atrás no meu pescoço

Ao raspar minha pele ela arde um pouco

 

Me pergunta para qual lado eu penteio

Eu respondo

“É para frente que eu deixo”

Um arremate antes de encerrar

A franjinha e as pontas ele começa a aparar

 

Me pergunta

“Você quer passar gel, chefia?”

Eu respondo

“Não por que tomarei banho em seguida”

Pois nas roupas os cabelos cortados

Me pinicam, deixando-me incomodado

 

“Ficou cinquenta reais”

“Cinquenta reais?!” eu exclamo

“Por que não cobra logo cem?”

“Pois eu sou cabelereiro também”

“E nunca precisei extorquir ninguém”

O cabelereiro se encosta no banco

E ri igual a um tonto

“São apenas vinte mangos”

“Aquilo não era sério”

“Eu só estava brincando”

 

Eu me sento no banco da rodoviária

Haviam muitas pessoas com suas malas

Nos guichês elas compram as passagens

Passageiros chegam e saem de viagem

 

Sopra o vento em meu cabelo curtinho

Será que eles veem como eu estou bonitinho?

Por estar curto eu sinto um tremendo frio

Mas apesar do frio eu sorrio

 

“Os cabelereiros são essenciais”

“Seu ofício os tornam especiais”

“Uma arte um tanto incompreendida”

“Apenas um coração sensível os valorizam”

 

Entardecia lá dentro

Eu respiro fundo em lamento

Essa pergunta consome o meu tempo

Eu poderia pensar nela o dia inteiro

Apenas me perguntando em silêncio

Quem corta o cabelo

Dos cabelereiros

 

 

sábado, 8 de janeiro de 2022

Companhias por Conveniência

 


Eu sou meu pai

Eu sou minha mãe

Eu sou me primo

Eu sou meu irmão

 

Eu sou meu amigo

Sou até meu inimigo

Sou meu colega

Sou meu conhecido

 

Eu sou meu patrão

Eu sou meu servo

Sou meu empregado

Eu sou meu chefe

 

Sou autossuficiente

Sou insuficiente

Sou importante

Sou irrelevante

 

Sou inteligente

Sou ignorante

Sou muito sábio

Sou incrivelmente burro

 

Sou instruído

Sou fracassado

Sou talentoso

Sou medíocre

 

Eu sou sortudo

Sou azarado

Tudo dá certo comigo

Comigo tudo dá errado

 

Eu sou meu líder

Sou muito grato

Sou educado

Não respeito quem é menos do que eu

 

Só não sou meu próprio cônjuge

Só não sou meu próprio Deus

 

Fui abandonado

Por mim fui recebido

Fui rejeitado

Por mim fui acolhido

 

Cozinho minha comida

Me trato quando estou doente

Trabalho em empregos ruins

Sempre foi assim

 

Me alegro quando estou triste

Me animo quando estou cansado

Me fortaleço quando estou fraco

Sempre fui assim

 

Nenhum homem é uma ilha

Eu sou meu próprio continente

Com suas tribos de índios nativos

E suas colônias de europeus

Com seus escravos africanos 

E uma imigração de italianos 

 

Desbravo a mim mesmo

Conquisto a mim mesmo

Me perco em mim mesmo

Sou derrotado por mim mesmo

 

Ninguém precisa de mim

Eu não preciso de ninguém

E nessa vida de aparências

Com nossas companhias por conveniência

Falo com todos

Só falo com amigos

Estou acompanhado

Eu falo sozinho

 

 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Ódio.

 


(Artista desconhecido)

 

Cresce o desejo de me vingar

Desaparece a vontade de perdoar

 

O complô contra mim

Eles riram de mim

 

A raiva é a semente de trevas em meu peito

O ódio cresce descontroladamente por dentro

 

Eles fingem sentir amor

Eles causam e provocam minha dor

Em meu coração cresce o rancor

Vocês jamais terão o meu amor

 

Me forçaram a conversar com quem eu odeio

A ir na casa de quem odeio

De tolerar provocações de quem eu odeio

E de relevar esse desrespeito

 

Mas e ao contrário

Eles fizeram o mesmo?


Tolerar o jeito alheio

Em mim só enxergam defeitos

Nunca aceitaram o meu jeito

“Você não tem esse direito”

  

A culpa só vem para quem quer melhorar

A repreensão só vem para quem quer melhorar

O maldoso nunca demonstra remorso ou arrependimento

O bonzinho deve comer a merda

E aceitar tudo em silêncio


Após tanta humilhação

O ódio apenas cresce em meu coração


Me tiram do sério

Distorcem a verdade

Aviltam a sinceridade

Exploram minha honestidade

Me imputam crimes sem veracidade

Não impõem limites para essa maldade

Esmagarei seu cinismo com crueldade

 

Cansei de assumir a culpa

Cansei de pedir desculpas

Essa será minha última luta

De esmagar sua hipocrisia imunda

 

Não mais darei a outra face

Esbofetearam demais a primeira face

Após sofrer tanta injustiça

Agora eu quero justiça

 

Pois eu não pedi para estar nesse mundo

E hoje vivo com raiva de tudo

 

A raiva cresce

O amor desvanece

O desejo de usar a violência

O mais puro ódio em essência

 

Com toda força reunida

Eu esmagarei a sua injustiça

Não a tolero em minha vida

Vocês não conhecem a minha ira

 

Atropelarei sua hipocrisia

Não pedirei perdão pela violência cometida

Com ódio da figura maldita

Isolado por não ceder à mentira

 

Dostoievski tinha razão

A violência é a única solução

Diferente do inocente que expira no chão

Seu cinismo será o único a cair em um caixão

 

Me disseram que eu faço drama

Se esquecem que a tragédia faz parte da trama

A violência fica para o final

Quando eu me vingar de todo o seu mal

 

  

sábado, 1 de janeiro de 2022

Cheiro de Cadáver


(Imagem do canal Nuke´s Top 5)

 

Um odor vil e podre

Pior do que o enxofre

Uma doença comprovada na medicina

Infecção cadavérica que te contamina

 

Um amigo médium me explica

Que se sentir o cheiro

Há uma presença maligna

Assombrando a sua vida

 

Espíritos ressentidos que não fizeram a travessia

E que vagam em tormento dia após dia

O cadáver podre que jaz enterrado em uma cova

Seu espírito assumiu a aparência da pele morta

 

Podem ser demônios de semblante horrendo

Homenzinhos pequenos cobertos de preto

O moribundo chora de desespero ao vê-los

Pois eles vem busca-lo em seu último momento

 

Com eles vem o cheiro

Misteriosamente se infiltrando em nosso meio

O cheiro de cadáver putrefato

Deixando o ambiente insuportável

 

Sem querer eu rio dessas ilações

Pois eu não acreditava nessas superstições

 

Toda noite alguém aparecia

Atrás da janela da cozinha

Assustado eu pergunto quem está ali fora

A figura estática não responde e não vai embora

 

Com firmeza eu tomo coragem

E abro a janela com vontade

Intrigado eu procuro e não vejo ninguém

A silhueta estava lá há um segundo, porém

 

Então o cheiro se espalha pela minha casa

Simplesmente veio, aparecendo do nada

Podridão, excremento e carniça

Empesteando as minhas narinas

 

Penso em abrir as janelas

Mas tenho medo de abri-las de novo

Pois não sei se a figura desconhecida

Ainda estava me espreitando

 

Uma sensação estranha me incomoda

Como se tivesse alguém em minhas costas

 

Ao passar em frente ao espelho

Eu paro por um momento

Algo chama a minha atenção e em seguida

Eu tenho o maior susto da minha vida

 

Atrás de mim eu vejo um espírito

Seu corpo estava todo apodrecido

Sua carne putrefata e em decomposição

Enegrecido como a própria escuridão

 

Encho os meus pulmões e grito

O mais alto que eu posso eu grito

Para o meu quarto eu imediatamente corro

E debaixo dos cobertores eu logo me escondo

 

O cheiro está mais forte e me sufoca

Ouço a respiração do espírito mais próxima

Com lágrimas nos olhos eu peço para ele ir embora

Em horror eu temo aquela entidade morta

 

Eu devo ter colapsado de desespero

Pois instantaneamente eu adormeço

Ao acordar pela manhã eu não sinto mais medo

Mas ainda conseguia sentir o cheiro

 

Que terrível pesadelo

Pois ao me lembrar daquele cadáver

Eu me encho de medo

 

Passam-se os dias

Lentamente eu retomo a minha vida

 

Mas algo ainda me perturba

Nos espelhos, nos cantos, nas janelas escuras

Mesmo que eu tente ignorar

Algo nas trevas parece me observar

 

 

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Clínica Psiquiátrica para os Deprimidos

 


Larissa

Uma menina esquisita

Feia

De péssima aparência   

 

O sufoco na garganta

De palavras não ditas

O peso nas costas

Sentindo o remorso todos os dias

 

Peitos crescidos

Mas não o suficiente

Cintura fina

Traseiro nada atraente

 

Pele oleosa

Roupa horrorosa

Coxa não tão grossa

Para uma mulher gostosa

 

“E você?

Que me olha com desdém

Eu sei que você  

Me rejeita também”

 

Em sua vida ela vê que vai muito mal

Sente todo o tempo que é uma doente mental

 

Exposição nas redes sociais

Não causariam o efeito desejado

Muito pelo contrário

A tratariam com deboches malvados

 

Uma música que ela cantasse

Uma poesia que ela recitasse

Uma história que ela contasse

Um vídeo que ela gravasse

Para expressar a dor que ela sentia

Simplesmente ninguém entenderia


Ela disfarça o que sente por dentro 

Se escondendo atrás de um muro de gelo 

Suas emoções feridas perderam o brilho 

Foram estilhaçadas como pedaços de vidro 

 

O rancor a domina

Quem diria

Que após tantos impulsos homicidas

Ela se tornaria

Uma menina suicida

 

Internada em um clínica psiquiátrica

Em seus pulsos ainda há as marcas da faca

Sua primeira tentativa não a livrou de sua danação

Todavia ela se lembra de tudo com satisfação

 

Finalmente entenderam que sua depressão profunda

Não era uma simples frescura

Piadas estúpidas como ir lavar louça ou carpir um terreno

Perderam a graça quando ela ingeriu veneno

 

O médico pergunta se ela está bem

Ela responde “quando que a morte vem?”

O médico diz que ela deve abandonar essa carência

Ela responde que não há remédio que a livre

Dessa amarga existência

 

“Você me seguirá para o além?

Pois eu nunca me senti bem

Na vida só sofri maldades

Há remédio contra esse male?”

 

O médico faz um sorriso complacente

Tira os óculos e limpa suas lentes

E responde todo eloquente

 

“Você tem razão em querer se matar

Pois o problema do mal não há como curar 

E em todos esses anos que eu trato dos casos de suicídio

Sofrer com o mal foi o principal de todos os motivos”

 

Larissa dizia

Que se achava feia e esquisita

Mas sabia que a causa de sua depressão

Eram os deboches de gente sem coração

 

Então os dois ficam em silêncio por um momento

A comiseração os corroía por dentro

Enquanto o mal existir existirá o suicídio

E haverão mais pacientes internados  

Na clínica psiquiátrica

Para os deprimidos