(Imagem da página Dead Tempo Visions)
Eu morri
Eu segui a luz
Onde está Jesus?
Onde está Deus?
Onde está minha avó que já morreu?
Onde está todo mundo?
Por que aqui o silêncio é absoluto?
Onde estão os outros salvos?
O meu cachorrinho que já morreu?
Ou o meu gato que desapareceu?
A salvação não pode ser isso
A decepção e a lamentação me martirizam
Em indignação eu vejo
Que os pastores mentiram
Sou atormentado por aberrações
Que me perseguem de dia
E que me espreitam à noite
Quem são essas entidades aterradoras?
Por que aqui não tem os anjos?
Por que aqui elas têm feição de demônios?
No céu do meu desespero
As nuvens se movem lentamente
Em seu desprezo onipresente
Rios que correm por canais
Mas que não vão para lugar algum
As águas levam minha esperança embora
E também me encerram nessa cidade morta
Campos abertos
Mas não há ninguém por perto
Corredores desertos
As aberrações eu enxergo
Casas de concreto
Ouço seus fantasmagóricos ecos
Há um jardim bem bonito
Mas é deserto e depressivo
Pelo fantasma de uma mulher velha
De longos cabelos e vestidos
Ele é diariamente protegido
Acho que seu filho se afogou nesses lagos
Pois seu espírito flutua sobre as águas
E nas margens ela chora
Encurvada em seu próprio abraço
Olho para o meu corpo
Parece que voltei a ser criança
Queria tanto a minha mãe
Eu me afundo em desesperança
Me sento em um cantinho
E abraço meus joelhinhos
Mamãe
Você vem buscar?
Estou tão assustado
Aqui eu não quero mais estar
Triste eu não quero mais ficar
E é assim que eu me sinto
Sem minha família
Sem meus amigos
Sozinho
Triste no paraíso