terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Triste no Paraíso

 


(Imagem da página Dead Tempo Visions)


Eu morri 


Eu segui a luz 


Onde está Jesus?

Onde está Deus?

Onde está minha avó que já morreu?


Onde está todo mundo? 

Por que aqui o silêncio é absoluto?


Onde estão os outros salvos?

O meu cachorrinho que já morreu?

Ou o meu gato que desapareceu?


A salvação não pode ser isso

A decepção e a lamentação me martirizam

Em indignação eu vejo

Que os pastores mentiram 


Sou atormentado por aberrações 

Que me perseguem de dia

E que me espreitam à noite 


Quem são essas entidades aterradoras?

Por que aqui não tem os anjos?

Por que aqui elas têm feição de demônios?


No céu do meu desespero 

As nuvens se movem lentamente 

Em seu desprezo onipresente 


Rios que correm por canais 

Mas que não vão para lugar algum 

As águas levam minha esperança embora 

E também me encerram nessa cidade morta


Campos abertos 

Mas não há ninguém por perto

Corredores desertos 

As aberrações eu enxergo

Casas de concreto 

Ouço seus fantasmagóricos ecos 


Há um jardim bem bonito 

Mas é deserto e depressivo 

Pelo fantasma de uma mulher velha

De longos cabelos e vestidos 

Ele é diariamente protegido 


Acho que seu filho se afogou nesses lagos

Pois seu espírito flutua sobre as águas 

E nas margens ela chora

Encurvada em seu próprio abraço 


Olho para o meu corpo 

Parece que voltei a ser criança

Queria tanto a minha mãe 

Eu me afundo em desesperança 


Me sento em um cantinho 

E abraço meus joelhinhos 

Mamãe 

Você vem buscar?

Estou tão assustado 

Aqui eu não quero mais estar 


Triste eu não quero mais ficar


E é assim que eu me sinto

Sem minha família

Sem meus amigos 


Sozinho 


Triste no paraíso